
Tudo que aprendi estava errado.
O mundo não é redondo.
É sim, muito chato.
Acordei um dia e não era mais eu. Não me reconheci no espelho, nem na minha caligrafia e nem no meu sotaque.
Acordei um dia e vi que as paredes do meu quarto, antes bege, eram verdes agora. Não reconheci meu quarto e ao descer as escadas para a sala (existiam escadas na minha antiga casa?) a casa não era mais a mesma.
Acordei um dia e que roupas estranhas eu estava usando…
Acordei um dia e meu cachorro não me reconheceu.
Cadê meus olhos, cadê minhas mãos, cadê
minha voz?
Saí à rua a procura de mim, desesperado a procura de eu, a procura de alguém que me abandonou dormindo e fugiu sem deixar pistas em uma lugar agora estranho de mim mesmo.
Andei por ruas desertas de mim (cadê eu?), olhei nos olhos dos outros a procura dos meus (cadê mim?), conversei com pessoas a procura da minha voz.
Não perdi parte de mim. Perdi o todo de mim. O brilho da alma, a altivez no sorriso, a força no combate e a alegria de estar no campo de batalha.
Eu levei de mim mesmo a confiança nas pessoas, o emprego estável, a identidade, a paixão, o escudo e a espada.
Esse mim fugitivo deixou apenas cansaço e olheiras, desconfiança e desamor e uma vontade de chorar que foge às minhas forças.
Agora durmo todas as noites com um estranho de mim mesmo. Anunciei em achados e perdidos nos jornais, em seções na TV, em redes sociais e supliquei que se alguém me encontrasse me devolvesse o mais rápido possível.
Existe uma criança doente, diziam os textos anunciando a minha busca, que não come e não vai mais a escola desde que mim (desde que eu?) se foi (me fui?). Pede-se encarecidamente que se alguém encontrar a mim vagando por aí que devolva. Não sei se eu posso oferecer recompensas. Assim que eu me encontrar verifico minha conta bancária.
Luto com muita dificuldade para me encontrar de novo e quem sabe uma alma boa me encontre e me devolva a mim para que eu possa matar essa saudade de mim mesmo. E para sempre ficar junto a eu.
Quero numa só
golada
garfada
batida
porrada
Te dizer que as reticências dominam minha
vida
alma
calma
raiva
E que preciso de você, que faz a minha vida variar, para
amar
odiar
beijar
ciumar
Toda a minha vida vendo
passar
transformar
mudar
voar
A luz que passa pelo
ar
mar
luar
solar
Sonhei que você tinha me ligado, cheia de japa e cerpa, uma e trinta da manhã para habitar meu sonho e desfazer meu sono.
Eu que tenho insônias diversas (trabalho, fim do mundo, contas, cartas, amigos, você…) continuei acordado durante a madrugada;
Olhos iluminando o quarto,
Voz estranha na boca,
Voz conhecida no ouvido (ah, querido, eu durmo logo… um, dois, três, boa noite, boa noite, boa noite…),
E Roberto Carlos cantando longe, longe… eu sou aquele amante à moda antiga, do tipo que ainda manda flores…
Não é preciso dormir quando quando existe você me ligando e enchendo de azul o meu céu negro da noite e de casas a minha cidade vazia.
Mundo dançarino… Que dança ao som de AK’s-47, decisões erradas e pensamentos imperfeitos.
Te beijo, imensa bolha de ar. E quanto mais te abraço, mais te sufoco de tanto amar.
Rimou, mas não era pra rimar.
Todos nós vivemos numa grande Amerika.
Mac Donalds, Coca-cola e às vezes guerra.
Sou bem pé atrás com gente ciumenta. O que passará na cabeça dessas pessoas ao fazerem uma auto-projeção?
Eu vejo em você o meu pior defeito.
I honor and loveEvery pig that I seeFor maybe one dayThat pig will love me..Our friendship with pigswill always lastIt doesn’t matterWhether it’s slow or fast..If we continue to hugEvery pig we canOur love will growAs large as this land..So I promise to helpEvery pig in defeatFor if it weren’t for pigsThere would be no bacon to eat..Daniela Torvalds
É uma noite qualquer de Dezembro de 1989. Jim Larsen está com vários outros soldados dos Army Rangers sentado dentro de um avião. Ele e todos os outros soldados se questionam se estarão vivos 24 horas depois.
Pulam do avião em direção ao Rio Hiato. Caem. Lutam. Matam. Morrem.
Assim que acabam a tarefa, se limpam, descansam e vão ler os cartões de Natal endereçados à “Qualquer Soldado”.
Todos choram. Jim Larsen não. Ele morreu em batalha.
Ninguém conhecia os remetentes bem intencionados do seu próprio país. Mas a tensão é tanta que basta um abraço de um desconhecido distante para deixarem no solo do Panamá as lágrimas da tensão acumulada ao matar seus semelhantes.